A Universidade de Caxias do Sul (UCS) apresentou nesta quinta-feira (23), no Auditório da Câmara de Indústria e Comércio em Garibaldi, o estudo sobre alternativas tecnológicas que buscam a destinação sustentável de resíduos sólidos urbanos (RSUs), transformando-os em energia e produtos.
A iniciativa do projeto é do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável da Serra Gaúcha (Cisga), do Conselho Regional de Desenvolvimento da Serra (Corede Serra) e da Associação dos Municípios da Encosta Superior do Nordeste (Amesne).
O projeto possui 3 fases:
Na fase I, que foi apresentada nesta quinta-feira (23), houve a caracterização dos RSUs gerados pelos municípios integrantes do projeto, ensaios em escala de laboratório das técnicas propostas no projeto e ensaios em escala piloto de ambas as técnicas. A fase I compreendeu um ano de projeto e foi executada nos laboratórios da UCS (Lebio, Latam e Fazenda Escola);
Na fase II está prevista a instalação e operação de uma unidade teste, com o objetivo de atender a legislação ambiental da Fepam-RS e validar os resultados obtidos na fase I do projeto. (A Licença Prévia para instalação da unidade teste no Aterro Sanitário Rincão das Flores, interior de Caxias do Sul está em análise na Fepam);
Na fase III está prevista a instalação de uma unidade regional (em escala industrial) de geração de energia e produtos de valor agregado a partir dos RSUs.
Os estudos foram apresentados pelo Prof. Dr. Marcelo Godinho (Lebio-UCS), Prof Dr. Lademir Beal (Latam-UCS) e Prof Dr. Gabriel Pauletti (Fazenda Escola UCS).
Além de prefeitos, vices e secretários municipais da região, o evento contou com a presença da presidente do Corede Serra, Mônica Beatriz Mattia, do presidente da AMESNE e prefeito de Nova Prata, Alcione Grazziotin, do diretor executivo do Cisga, Rudimar Caberlon, da pró-reitora de inovação e desenvolvimento tecnológico da UCS, Professora Neide Pessin e do assessor técnico da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura, Valmir Zanatta.
Como surgiu o projeto
Segundo dados da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam-RS), atualmente há somente dois tipos de aterros em funcionamento no Rio Grande do Sul: controlado (inadequado) e sanitário (adequado). Enquanto o aterro controlado não oferece sistemas de tratamento de chorume ou impermeabilização do solo, o sanitário prevê todo o preparo do solo, com sistema de drenagem de chorume, além de realizar a captação e queima dos gases liberados.
Ainda de acordo com dados da Fepam-RS, no ano de 2019, 397 municípios faziam a disposição final dos seus resíduos em aterros sanitários, 85 em aterros controlados e 15 enviavam seu lixo para Santa Catarina. Entretanto, esta forma de disposição final implica na geração de um passivo ambiental, além de gerar custos elevados aos municípios. Outro fator é que, geralmente, os locais licenciados para a disposição dos resíduos no RS são distantes das sedes dos municípios, implicando no custo adicional do transporte.
Por isso, em 2019, o Cisga, o Corede Serra e a Amesne iniciaram uma discussão para encontrar alternativas para a disposição final dos resíduos sólidos urbanos dos municípios. As entidades, portanto, convidaram a UCS para contribuir do ponto de vista científico e tecnológico na concepção e execução de um projeto estruturante e sustentável para a destinação final dos RSUs dos municípios da região. Ao longo do ano de 2020 foram realizados encontros com prefeitos, secretários do Meio Ambiente e Fepam-RS para a construção do projeto. No início de 2021 houve novos encontros entre os pesquisadores da UCS e os técnicos dos municípios para ajustes do projeto.